[Março 28, 2005]
UTILIDADE PÚBLICA
Na próxima terça-feira, dia 29/03/2005,
todos de luto contra a vergonha!
Luto nacional: campanha contra a farra no congresso nacional.
Divulguem para o maior número de pessoas.
Sabemos que sair às ruas é complicado devido a compromissos diários,
então estamos propondo a todos ao saírem de casa vistam camisas/ blusas pretas,
e se você não tem, amarre um lenço ou pano preto no braço ou em qualquer lugar do corpo.
Melhor ainda:
pendure um pano preto na sua janela em sinal de luto pela morte da dignidade dos políticos.
Isto vai ser um sinal de repudio a palhaçada que virou a política brasileira.
Demonstre sua indignação em todos os estados e cidades brasileiras!
Não tenha vergonha de participar!
Devemos ter vergonha de assistir a bandalheira de boca fechada
e mãos atadas como um povo ignorante que não sabe como protestar!
Por isso envie este texto ao maior número de pessoas;
a idéia é fazer esta mensagem chegar a milhões de pessoas.
O novo presidente da câmara dos deputados, Severino Cavalcanti,
(uma anta que chegou a deputado por causa da incompetência do eleitor brasileiro
e a presidente da câmara por causa da incompetência do governo)
disse que nós brasileiros não nos importamos que o salário deles aumente de
R$ 12.000,00 para + ou - R$ 22.000,00.
Como é possível em um país onde milhares de pessoas passam fome,
deputados receberem aumentos absurdos como este que propõe
o grande amigo do povo "Severino Cavalcanti" ?
O Brasil é um país viável, não temos terremotos, furações etc;
o que precisamos é acabar com a corrupção que faz com que o
povo viva oprimido com uma péssima distribuição de renda.
Precisamos de pessoas que possam melhorar o país,
e não de quem só pensa em si.
O governador de Minas Gerais (que afirma ter saneado as dívidas do seu estado)
disse que se o aumento for aceito, Minas, que pôs suas contas em dia,
não mais conseguirá pagar em dia porque o efeito cascata afetaria vários servidores do estado.
Quer saber como é a farra no congresso nacional?
Então vá somando:
*salário: R$ 12.000,00
*auxílio-moradia: R$ 3.000,00
*verba para despesas com combustível: R$ 15.000,00
*verba para assessores: R$ 3.800,00
*para trabalhar no recesso: R$ 25.400,00
*verba de gabinete mensal: R$ 35.000,00
E tem mais:
*direito a transporte aéreo: 04 passagens de ida e volta a Brasília/ mês
*direito de contratar até 20 servidores para cada gabinete
*direito ao recebimento de 13º e 14º salários, no fim e no início de cada ano legislativo
*direito a 90 dias de férias anuais
*direito a folga remunerada de 30 dias.
Isso tudo é para cada um dos 514 deputados!
Dinheiro que sai dos cofres públicos, do seu bolso, cidadão!
Se esta mensagem chegar a milhões de eleitores,
eu duvido que a coisa não mude!
Este é um dos caminhos possíveis para mudar o país.
Vamos dar um basta e reagir como gente grande dizendo um grande NÃO!
Não se esqueçam:
Terça, dia 29, blusa preta e pano preto na janela!
Dito, pensado e escrito em
* 3/28/2005 04:40:47 PM
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[Março 6, 2005]
Era tanta saudade
É, pra matar
Eu fiquei até doente
Eu fiquei até doente, menina
Se eu não mato a saudade
É, deixa estar
Saudade mata a gente
Saudade mata a gente, menina
Já havia passado três meses que Rodrigo tinha chegado aquela cidade. Três meses de procura, de angustias e até agora nada... Ele ainda estava com muitas esperanças, ainda estava deslumbrado com as luzes, a correria e com o modo de como tudo ali corria, com pressa, com fervor, mas suas economias já estavam acabando, e se ele não tomasse uma atitude rápido, provavelmente teria que voltar para sua terra natal... e isso ele não queria.
Tinha saído de sua cidadezinha do interior, justamente pra isso... pra tentar seguir sua carreira de ator, e disso não abriria mão... embora estivesse quase sem grana, e com uma saudade imensa de sua mãe e seus irmãos, ele decidira que só voltaria, depois de ter conseguido seu intuito.
Havia passado para o curso de uma escola de teatro, escola essa que é uma das mais reconhecidas do Rio de Janeiro. Tinha conhecido alguns outros alunos, que como ele, também deixaram seus familiares e amigos atrás de um sonho, e assim, entre um papo e outro, conseguiu morar num apartamento de quarto e sala com mais dois rapazes e uma menina.
Morar naquela bagunça aliviava um pouco a saudade que tinha de seus irmãos... era divertido ficar assistindo a briga deles por coisas bobas, como uma pasta de dente... as vezes, quando essas brigas aconteciam, ele sentava e ficava observando, as vezes ria tão alto que a briga parava e os meninos, como ele chamava, riam junto com ele... E era assim que os quatros diminuíam um pouco as suas carências.
Quis saber o que é o desejo
De onde ele vem
Fui até o centro da terra
E é mais além
Procurei uma saída
O amor não tem
Estava ficando louco
Louco, louco de querer bem
Teatro... desde a primeira vez que viu o circo, se apaixonara... quisera até fugir com eles, mas algo o prendia aquela cidade, ele até hoje não sabia explicar o que, mas graças a Deus, ele não fora. Hoje praticamente todos os artistas de circo estão passando fome, o circo já não é tão reconhecido no Brasil, não há mais lugares para a montagem das tendas... uma pena.
Decidiu então fazer um curso, desses livres, de interpretação... Nossa!!! Que delícia, havia descoberto sua verdadeira vocação, foi como um grande amor, uma grande paixão, e ainda é.
Conversou muito com sua mãe, e decidiram então, juntar dinheiro para que ele pudesse tentar seguir a carreira no Rio, sim, porque ali, onde moravam era pouco provável que ele conseguisse algo além de fazer teatros em colégios e parques, coisa que ele, já a essa altura, já tinha feito bastante.
Dois anos depois, conseguiu partir... A partida fora um misto de alegria e receios, como nesses romances baratos que se vende em banca de jornal, ou até como essas novelas mexicanas que hoje em dia passa tanto na TV. Ele iria, finalmente partir pra encontrar seu grande amor... mas não era uma pessoa, era um ofício... mas o sentimento era o mesmo.
Quis chegar até o limite
De uma paixão
Baldear o oceano
Com a minha mão
Encontrar o sal da vida
E a solidão
Esgotar o apetite
Todo o apetite do coração
Mas já tinha passado três meses, e nesses três meses ainda não havia ligado pra casa, nem carta tinha escrito... o dinheiro já estava acabando, a saudade doía, as possibilidades se esgotavam...
Não, ele não iria desistir agora, tinha mais alguns anos pela frente até terminar o curso, que mesmo sendo muito reconhecido, hoje se encontra com poucos professores, com poucas aulas, com poucos alunos... enfim, a arte, mesmo nos tempos modernos, ainda era para muitos, considerado algo supérfluo, sem valor...
Estava feliz ali, só a falta da família que, como hoje, apertava muito... mas ele iria continuar...
Mas voltou a saudade
É, pra ficar
Ai, eu encarei de frente
Ai, eu encarei de frente, menina
Se eu ficar na saudade
É, deixa estar
Saudade engole a gente
Saudade engole a gente, menina
Resolveu então comprar um cartão telefônico, comprou, e ficou horas ali parado, em frente a um orelhão, pensando no que diria, em como estariam sua mãe e seus irmãos.
Tentaria ser forte, não chorar, embora só de pensar as lágrimas já começavam a ameaçar a sair, mas tentaria não demonstrar sua solidão, sua saudade... ligaria somente pra ter noticias dos seus, e para dizer que estava bem, talvez pedisse desculpas por demorar a dar noticias. Contaria do curso e dos amigos que fez, de como aprendeu e de como a cada dia tinha mais amor pelo oficio.
Colocou o cartão, no orelhão, pegou o fone, discou o número...
Tocou umas três vezes, que para ele parecia a eternidade, o coração acelerava cada vez mais... Como não ligou antes????? Que filho mais desalmado estava demonstrando ser... começou a se sentir culpado... e o telefone finalmente alguém atendeu...
- Alô?????? - alguém falava do outro lado...
- Mãe? Sou eu... Rodrigo - falava já com a voz embargada pelas lagrimas teimosas...
- Meu filho... - já chorava a mãe do outro lado... - que saudades... como você está???
- Estou bem mãe, só estou sentindo falta da sua comidinha - ria e chorava ao mesmo tempo...
Ficaram alguns minutos falando e chorando. Recebera de sua mãe todos os conselhos, todas as broncas, ria, chorava... e aliviava a alma...
- Mãe, eu volto...
- Eu sei meu filho... mas só me volte aqui depois que for um ator de verdade, não se abandona um sonho assim... você vai conseguir, rezo todos os dias por vc...
- A benção mãe.
- Deus te abençoe, me filho... Deus te proteja.
O cartão acabou, ele desligou e voltou para o apartamento onde morava... certo de que tudo aquilo era só um momento, era só o começo do caminho... e feliz, muito feliz por estar ali...
Ai, amor, miragem minha, minha linha do horizonte, é monte atrás de monte, é
monte, a fonte nunca mais que seca
Ai, saudade, inda sou moço, aquele poço não tem fundo, é um mundo e dentro
um mundo e dentro um mundo e dentro é um mundo que me leva
Música: Tanta Saudade
Chico Buarque
Dito, pensado e escrito em
* 3/6/2005 03:15:32 PM
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[Março 1, 2005]
Bom, ando com pouco tempo pra postar... e não estou mais com micro em casa, o que dificulta mais ainda o treco por aqui.
Aí lembrei que eu tentei, há algum tempo, manter outro blog... Um blog onde só houvesse minhas ''artes''...
Como não deu muito certo (abri com uma amiga e agora não entro mais nele) resolvi passar os meus escritos pra cá...
Só pra explicar: No blog a gente pegava uma música já conhecida, e escrevia um conto... A música já existe, tem autor e tudo... mas o conto é meu...
Pronto,
Boa leitura... (e não seja tão critico comigo..)
" Vai se você precisa ir
Não quero mais brigar essa noite,
Nossas acusações infantis...
E palavras fulgazes, que machucam tanto..."
Ela agora estava sozinha, sentada no sofá, olhando o teto. Nunca imaginara que sua vida se tornaria nessa rotina de brigas e discussões, era a ultima coisa que ela queria ao ter saído de casa. Ele, provalvelmente a essa atura, estaria num bar qualquer... Quem sabe conversando? Rindo, contando piada e cantando as menininhas de sua idade?
Sim, por mais que negasse, ficava roxa só de pensar em vê-lo com outra menina... Tinha um certo receio de ser trocada por uma menina mais nova, afinal, ele é uns 20 anos mais jovem que ela.
Quando resolveram morar juntos, foi um escandalo... sim porque, mesmo com toda essa modernidade, com toda a evolução cibernética, as pessoas ainda se supreendem com uma mulher, que mesmo beirando os cinquenta anos, tenha um relacionamento com um rapaz de vinte e tres anos...
"Vai, clareia um pouco cabeça,
já que você, não quer conversar...
vou ficar aqui com um bom livro
ou com a TV..."
Lutaram juntos, venceram os preconceitos dos filhos dela, ela até passara um tempo sem poder ver a netinha que gostava tanto, mas com o tempo acabaram provando que o relacionamento deles era uma coisa séria, já estavam juntos há 5 anos e hoje tudo o que passaram não fazia mais nenhuma importancia, estavam juntos, venceram e estavam em paz...
Paz.. taí uma coisa que ninguém na sua familia poderia descobrir... desde que passaram a morar juntos, paz era uma coisa que ela não tinha.
Com o tempo e a convivência diária, passaram a brigar, discutir as vezes por coisas bobas, mas o fato era que ela não conseguia se desvencilhar da sua insegurança em relação a grande diferença de idade, e ele não conseguia viver as custas dela. Sim, ele não era um vagabundo, trabalhava arduamente todos os dias em uma grafica, mas seu salário nunca era o bastante para manter as despesas da casa, despesas essa que na maioria das vezes, ela que pagava.
Moravam em um belo apartamento, na Zona Sul do Rio, tinham o previlégio da praia e a comodidade de ter tudo bem perto, mas isso custava muito caro pra ele, ainda mais porque sempre fora criado com muitas dificuldades, trabalhando desde a mais tenra idade, e foi numa dessas empresas que a conheceu.
Ele sempre foi um rapaz bonito e cordata, agravada a todos por sua simpatia... e isso, junto com seus olhos de menino perdido havia encantado a ela...
Ela era uma das socias da empresa, alegre, bonita e despojada... tinha um sorriso franco e um perfume que o fazia perder os sentidos, sua força e inteligencia haviam pela primeira vez com medo de se apaixonar... ele só estava acostumado com suas namoradinhas, muito bobas e ingenuas, o que era facil, para ele de administrar... mas uma mulher feita, isso pra ele era perigoso.
" Sei que existe alguma coisa incomodando você,
meu amor, cuidado com a estrada,
e quando você voltar..."
Ela sabia dos medos que ele tinha, e as vezes, até forçava uma situação para deixa-lo mais inseguro. Tudo isso pra não deixa-lo saber sobre o seu proprio medo de ser trocada... mas agora era tarde, forçara demais... ele se fora...
Melhor seria tentar dormir, tomar um calmante talvez... e foi o que fez...
"Tranque o portão,
Feche as janelas,
Apague a luz..."
Já era tarde qdo ele voltou, entrou devagar, nem acendeu as luzes... imaginou que ela estaria no sofá a sua espera... ficou decepcionado quando não a viu ali, como da outras vezes. Foi para o quarto com um medo enorne de não encontra-la, por mais que brigassem, sabia que ela o amava... e a amava também... só saira pra fazer ciumes, mas ficou por ali, dando volta com o carro... e quando achou que já tinha passado tempo suficiente, voltou...
A viu dormindo, ficou algum tempo a observando, abaixou e beijou de leve sua testa. Sussurou baixinho um eu te amo e foi deitar-se...
"E saiba que te amo..."
Ela, quando percebeu que ele já havia deitado, suspirou e enfim, conseguiu dormir...
Música:
Quando você voltar
Legião Urbana
Dito, pensado e escrito em
* 3/1/2005 09:00:00 PM
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